Article

Um presente especial: Franklin vs. Griffin

Rich Franklin contra Forrest Griffin é um embate envolvendo dois ex-campeões ainda em grande forma.
Eu normalmente analiso os principais confrontos de cada card. Não esse. Sem vantagens e desvantagens. Sem chaves para a vitória. Não dessa vez.    
  
Rich Franklin contra Forrest Griffin não é esse tipo de luta. Claro, é um embate envolvendo dois ex-campeões ainda em grande forma. Merece a mesma atenção, na minha opinião, da luta da noite, entre Anderson Silva e Vítor Belfort.   
   
Não é porque se trata de uma disputa de cinturão ou uma forma de determinar o próximo na fila para tentar o título. O vencedor certamente se colocará entre os prováveis para tentar um cinturão. E o cara que perder não se prejudicará na sua divisão. Então qual o motivo dessa luta merecer o mesmo nível de atenção de uma luta pelo título? Porque ela tem todos os ingredientes para se transformar em uma guerra que os fãs falarão por anos.   
   
Vou tentar explicar. Mesmo assistindo virtualmente toda luta do UFC ao vivo, eu sempre confiro reprises de, no mínimo, duas lutas de cada competidor antes de tomar uma posição. Por que? Porque podendo pausar, voltar, deixar em 'slow motion' e várias outras funções, posso procurar nuances, erros e tendências, podendo assim comparar as qualidades de um lutador com as fraquezas de outro.    
  
Assistindo às fitas desses dois durante um dia todo me fez perceber algo bastante especial. Eu notei que depois de muitas horas em frente à televisão, eu ainda não tinha anotado nada - nem mentalmente, nem escrito - das suas tendências. Eu também tenho quase certeza que não apertei o pause, ou voltei, ou coloquei a imagem em câmera lenta para analisar a luta. 
     
Percebi também que eu não assisti quatro ou cinco lutas. Ao invés disso, assisti Franklin e Griffin competindo num total de 17 lutas. E esse não era o meu plano original. Como eu disse, meu objetivo era analisar algumas lutas, como faço na minha rotina.  

E foi aí que eu me toquei. Mesmo que aquela fosse a quinta, sexta ou talvez vigésima vez que eu via aquelas lutas, eu havia me perdido na ação, assistindo às lutas pelos olhos de fã, não o olho treinado de quem trabalha com isso.     
 
Talvez porque eu tenha começado o dia vendo a luta que muitos creditam ter mudado o esporte - o primeiro confront entre Griffin e Stephan Bonnar. É difícil assistí-lo e não se perder no momento. Já existiu alguma ação mais excitante dentro do Octógono? E a revanche não foi muito diferente.  
    
Em seguida foi a vez da luta de Franklin contra o falecido (e saudoso) Evan Tanner. Ao meu ver, a luta não fica tão atrás da Griffin-Bonnar I. A sobrevivência de Franklin ao nocaute inicial e a exibição do espírito humano de Tanner em se recusar a desistir, apesar da certeza da derrota durante a metade do segundo round, me mantiveram colado na ação.      

Em sequência vieram as derrotas por nocaute, as três de Franklin para Anderson Silva e Vítor Belfort e as de Griffin para Keith Jardine, Rashad Evans e Anderson. Eu fiquei procurando por erros que levaram às derrotas. Mas, ao invés disso, tudo que eu lembrei foi a honestidade do esforço deles e a emoção crua que veio em seguida. Foram momentos que me lembraram que esses caras deixam suas almas em cada luta. 

A verdade é que os fãs estão sempre prontos para serem presenteados toda vez que Franklin e Griffin entram para lutar. Eles trabalham antes e durante a luta para devolver aos fãs a oportunidade que eles têm de serem pagos para fazer o que amam. E é por isso que eles lutam para entreter da mesma forma que lutam para vencer. Eles sabem que a MMA é principalmente um esporte para o espectador.    
  
Sobre a luta em particular, tem todos os ingredients para se tornar uma guerra temporal. Nenhum dos dois tem um golpe específico que pode definir. Sim, eu sei que Franklin destruiu Chuck Liddell na sua última luta com um simples soco. Mas mesmo ele admite que é mais um cirurgião do que um destruidor com seus golpes.    
  
Griffin é similar no seu poder explosivo. Ele pode não ser tão cirúrgico como seu adversário, mas quem precisa ser quando seu plano de jogo, às vezes, envolve ir pra frente sem qualquer preocupação e partir para o ataque? Ele força os seus oponentes a ficarem de pé e lutar porque não têm outra opção. Griffin simplesmente não para de ir à frente até o pararem.      

Eu ficaria chocado se qualquer um deles gastasse muito, ou pouco, tempo buscando derrubar o outro. Nenhum dos dois têm interesse em wrestling e, provavelmente, irão manter a trocação desde o começo até o fim da luta.  
    
Claro que cada um tem a sua vantagem distinta sobre o outro. Franklin é o mais técnico dos dois. Griffin é o maior e mais forte. Franklin tem um jogo de finalização mais polido. Griffin tem uma mandíbula mais firme. Ambos poderiam ser confundidos com o Coelhinho da Energizer em qualquer momento.      

Mas a luta não se trata de comparar suas vantagens e desvantagens. Não para mim, pelo menos. Se trata de pegar sua bebida favorita, sentar no seu lugar na rena, ou no seu sofá, ou no seu banco favorito do bar e ver esses dois caras deixarem seu coração no Octógono com o objetivo de entreter os fãs e vencer uma competição de MMA.    
  
Parafraseando Donnie Brasco, "isso, meu amigo, é uma coisa linda". E é por isso, meu amigo, que irei assistir no sábado à noite. Você deveria também.    
Sunday, July 7
3:00 AM
BST
Las Vegas, Nevada

Media

Recent
UFC light heavyweight geniuses Forrest Griffin and Phil Davis mull over some necessary changes to the rulebook and lobby for an Eye Poke of the Night bonus.
Jun 19, 2013
In 2008, middleweight champion Anderson Silva moved up in weight to 205 to see if his power would still be a threat at light heavyweight. It was.
Jun 18, 2013
Every fighter has weak points and every fighter makes mistakes. On July 6, Anderson Silva plans to be the one who's shored up his weak points and capitalizes on Chris Weidman's mistakes.
Jun 17, 2013
From block party to prelims to post-main event, get an all-access look at Winnipeg's first-ever UFC event.
Jun 17, 2013